Ministro de Lula critica ‘taxa das blusinhas’ e mira Flávio Bolsonaro em 2026
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), admitiu que a implementação da chamada ‘taxa das blusinhas’ foi um equívoco do governo federal. Em entrevista, ele também declarou que o escândalo envolvendo o Banco Master e as relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro serão temas centrais na estratégia do PT para a campanha presidencial de 2026.
Guimarães rebateu as acusações da oposição de que o recente “pacote de bondades” do governo, que incluiu a derrubada da taxa sobre compras internacionais, teria caráter eleitoreiro. Ele ressaltou que a transparência e a investigação de irregularidades são fundamentais para a democracia, especialmente diante de revelações que abalam a imagem pública de políticos.
As declarações foram feitas após a divulgação de áudios que indicam a proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, desmentindo alegações anteriores do senador. O ministro enfatizou que a sociedade brasileira exige clareza e responsabilidade, e que o eleitor de 2026 avaliará criteriosamente o caráter dos candidatos. Conforme informações reveladas pelo Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria solicitado a Vorcaro R$ 134 milhões para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, dos quais R$ 61 milhões foram efetivamente pagos.
Guimarães: “O rei está nu” e será difícil para Flávio se recuperar
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, utilizou a metáfora “o rei está nu” para descrever a situação de Flávio Bolsonaro após as revelações sobre seu envolvimento com o Banco Master. Ele acredita que a imagem de “moderno e ético” do senador foi abalada e que será um desafio para ele se reerguer politicamente.
Guimarães defende a apuração rigorosa dos fatos, afirmando que “o país precisa ser passado a limpo”. Ele argumenta que a relação exposta entre o senador e o ex-banqueiro será um ponto crucial para a campanha presidencial, pois expõe supostas inconsistências e falta de transparência.
Revogação da ‘taxa das blusinhas’ foi acerto, segundo ministro
A decisão de zerar a cobrança federal sobre compras internacionais de até US$ 50 (aproximadamente R$ 245) foi justificada por Guimarães como um reconhecimento de erro. Ele, que já foi líder do governo no Congresso, expressou arrependimento por não ter se posicionado antes contra a taxa.
O ministro explicou que a medida, embora tenha tido um impacto mínimo na arrecadação federal, prejudicava diretamente famílias de baixa renda e a classe média baixa, que compram itens essenciais como acessórios para celular e material de escritório. “Foi uma medida que não deveria ter sido feita e eu me empenhei para reverter, pois prejudicava as famílias”, declarou.
Pacote de medidas visa estabilidade econômica e proteção social
José Guimarães também abordou as outras medidas que compõem o chamado “pacote de bondades”, como a subvenção da gasolina e o Novo Desenrola. Segundo ele, essas ações têm como objetivo reduzir o endividamento das famílias e conter a alta de preços, visando uma economia mais estável antes do período eleitoral.
Ele rejeitou a ideia de que o pacote seja puramente eleitoreiro, argumentando que se trata de medidas necessárias para aquecer a economia e proteger os brasileiros dos impactos econômicos globais, como a guerra entre EUA e Irã e seus reflexos nos combustíveis. O ministro assegurou que essas ações foram implementadas sem comprometer as regras fiscais.
Relação com o Congresso e desafios políticos
Guimarães, que assumiu a Secretaria de Relações Institucionais em abril, reconheceu que houve falhas na estratégia política do governo para lidar com casos complexos no Congresso, como a CPMI do INSS. No entanto, ele afirmou que a situação está se normalizando.
Apesar de recentes reveses, como a rejeição de uma indicação de Lula para o STF, o ministro mantém o otimismo quanto à articulação com o parlamento, ressaltando a importância do diálogo para o bom funcionamento do governo.
