O acesso precoce de crianças e adolescentes a conteúdos adultos voltou ao centro do debate digital no Brasil. Um levantamento realizado pela Ipsos em parceria com a Unico revelou que 13% dos jovens brasileiros entre 10 e 17 anos afirmaram ter tido contato com esse tipo de material em 2025.
A pesquisa ouviu 1.200 crianças e adolescentes em diferentes regiões do país e acendeu um alerta sobre os desafios enfrentados por famílias, escolas e plataformas digitais para controlar o acesso de menores a conteúdos inadequados na internet.
O tema ganha ainda mais relevância em meio às discussões sobre o chamado “ECA Digital”, proposta que busca ampliar mecanismos de proteção para crianças e adolescentes no ambiente online.
Meninos de 16 e 17 anos lideram índice de acesso
Segundo os dados divulgados no levantamento, o maior percentual aparece entre meninos de 16 a 17 anos. Nesse grupo, 29% afirmaram já ter acessado conteúdo adulto neste ano.
Entre as meninas, o crescimento ocorre mais cedo. A pesquisa mostra que o acesso triplica entre adolescentes de 14 e 15 anos, alcançando 16% nessa faixa etária.
Os números sugerem comportamentos diferentes entre meninos e meninas em relação ao consumo digital, especialmente durante a adolescência.
Curiosidade é principal motivo
O estudo aponta que a curiosidade é o principal fator que leva os jovens a acessarem esse tipo de conteúdo. Cerca de 61% dos entrevistados citaram esse motivo.
Outras razões mencionadas incluem distração, passatempo e busca por prazer. Especialistas alertam que a facilidade de acesso através de celulares, redes sociais e aplicativos contribui para a exposição precoce.
Além disso, muitos adolescentes acabam encontrando esse tipo de material sem procurar diretamente, por meio de anúncios, recomendações automáticas ou compartilhamentos em grupos online.
Debate sobre proteção digital ganha força
O avanço da discussão sobre o ECA Digital busca justamente ampliar regras de proteção no ambiente virtual, criando mecanismos mais rígidos de controle de idade, responsabilização de plataformas e monitoramento de conteúdos considerados inadequados para menores.
Especialistas em segurança digital defendem que o problema não pode ser tratado apenas como responsabilidade das famílias, mas também das empresas de tecnologia e das plataformas que distribuem conteúdo na internet.
O debate também envolve educação digital nas escolas, orientação aos pais e ferramentas de controle parental para reduzir os riscos de exposição precoce.
Especialistas alertam para impactos emocionais
Psicólogos e pesquisadores afirmam que o contato antecipado com conteúdo adulto pode influenciar o desenvolvimento emocional e comportamental de crianças e adolescentes, especialmente quando ocorre sem acompanhamento ou orientação adequada.
Entre os possíveis impactos citados estão distorções sobre relacionamentos, sexualidade e comportamento social, além do risco de dependência digital e exposição a ambientes online inseguros.
Com o crescimento do uso de smartphones cada vez mais cedo, especialistas defendem que o diálogo familiar e a educação digital preventiva serão fundamentais nos próximos anos.
Fonte: CNN Brasil
